O sono pesado da preguiça
Uma das piores sensações que eu já tive na vida foi a de perder tempo. Ah...o tempo. Há tempo para todas as coisas, só não há tempo a perder. Já começo assim para garantir que você está começando a entender isso.
Hoje nós vemos cada vez mais as pessoas reclamarem de falta de concentração, distração e procrastinação. Elas fazem de tudo para não ter o que fazer. Nunca o lazer foi tão superestimado. É claro que precisamos dele, mas e as férias de anos que muitas pessoas tiram por pura preguiça? Se investigarmos a fundo alguns pacientes que pensam estar acometidos pela Síndrome de Burnout (é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, associado ao trabalho), veremos que estão esgotados não porque trabalharam ou estudaram bastante, mas porque precisavam exercer essas atividades de maneira intensa e não conseguiram por não resolverem seus problemas internos, dentre outras causas, relacionados à produtividade.
Pessoas ansiosas tendem a querer tudo ao mesmo tempo e em pouco tempo. E, quando olham para trás e percebem que estão fazendo essas mesmas coisas há muito tempo sem resultado algum, ficam extremamente frustradas e com uma grande descarga emocional. Assim, para se aliviar de todo aquele estresse causado por eles mesmos por não cumprir ou cumprir de qualquer jeito ou ainda por cumprir “em cima da hora”, muitos dormem muito ou não dormem. Além de alterações no sono, há várias outras alterações, mas vou me ater a essa.
O sono é fundamental para a nossa memória, para processar e reter informações por um longo prazo. É importante também para a regulação do humor e para uma boa disposição. O indivíduo que tem insônia possui uma qualidade de vida consideravelmente comprometida. É difícil para ele cumprir suas metas, porque dorme na hora que dá, na hora em que o sono finalmente veio, e, consequentemente, acorda em horários diferentes dos que tinha planejado. Aí bagunça tudo. O nível de irritação é alto, a sensação é a de mais um dia perdido. E então, essa pessoa, a quem chamaremos de Sra. X, vai entrando em uma cadeia de autopiedade. Coloca a culpa em fulano que não a deixou dormir, nos remédios que a fizeram dormir demais… Entenda, eu reconheço que isso influencia decisivamente! Mas estou falando de uma pessoa que, na verdade, tem algo diferente envolvido em seu transtorno do sono.
Deixe-me clarear um pouco. A vida da Sra. X é muito difícil, ela é uma pessoa extremamente exigente consigo mesma, vive em um ambiente de muita pressão e tem relacionamentos difíceis com pessoas com quem tem que conviver todos os dias. O transtorno dela foi induzido, na verdade, como um mecanismo de defesa para fugir de tantos conflitos internos que ela pensava ser externos. Ela dormia tarde porque, a madrugada era a hora em que podia ficar só e em silêncio. Acordava tarde nem sempre porque simplesmente havia acordado tarde, mas porque acordou e viu que não valia a pena levantar para ter os mesmos estresses, as mesmas coisas de todo dia. O sono era uma fuga...Ela quase não dormia, e, quando dormia, quase não acordava. E isso porque não conseguia? Não, porque não queria. Era muito doloroso ficar acordada. Mas nos momentos em que a Sra. X finalmente tinha um pouco de privacidade e silêncio, ela percebia que tudo dentro de si gritava. Em um raro dia em que ela conseguia acordar, ficava mais animada para produzir alguma coisa. Mas paralisava quando percebia o tanto de coisa para fazer e agia como se não tivesse nada. Quem sabe um dia a sua insônia se resolveria, quem sabe um dia tivesse um pouco mais de privacidade. Ela esperava condições perfeitas para fazer o que precisava. Hipoteticamente, se tudo ficasse perfeito, ela ainda veria seus problemas. Que adianta ver tudo diferente lá fora e por dentro, permanecer a mesma pessoa?
Tudo isso não somente cansa, esgota. E o descanso definitivo não vai vir de medicamentos ou de uma boa noite de sono; ouso dizer que nem a mudança de alguns hábitos, se o seu interior não for profundamente transformado.
Ela não consegue se concentrar porque há muitas coisas em sua cabeça, sendo que precisa de uma só: arrependimento.
Quê?
Sim, caminhe comigo.
Você já deve ter ouvido que a preguiça é pecado, certo? Já deve ter ouvido:
“Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio!
Ela não tem nem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento. Até quando você vai ficar deitado, preguiçoso? Quando se levantará de seu sono? Tirando uma soneca, cochilando um pouco, cruzando um pouco os braços para descansar, a sua pobreza o surpreenderá como um assaltante, e a sua necessidade lhe virá como um homem armado” Pv 6.6-11
As formigas têm o que precisam porque trabalham enquanto podem. Assim, não serão surpreendidas pelas necessidades. Até elas “discernem” o tempo de plantar e o de colher. E sabe o que tem em comum esses dois tempos? O trabalho. É, dá trabalho plantar e colher, mesmo que em diferentes intensidades.
Infelizmente, é assustador o número de pessoas acometidas por algum transtorno psiquiátrico, das mais variadas etiologias. E elas precisam procurar um profissional o mais rápido possível para serem acompanhadas e tratadas. Mas, agora, eu quero falar de desordens emocionais derivadas de pecados.
Deus te dá tudo de que precisa para dar frutos. E para que são esses frutos? Para alimentar as pessoas, e as suas folhas para servirem de remédio. Você está diante de uma oportunidade para usar aquilo que esteve diante de você tantas vezes, mas não vai poder fazê-lo porque você teve uma vida indisciplinada, cheia de falta de fé, de preguiça e só procurava paliativos para não ficar “para trás”.
O interessante é que uma das palavras relacionadas a “preguiçoso” em latim, pinguis, significa justamente “gordo, volumoso”, no sentido de “lento, pesado”. O problema da Sra. X, e pode ser o seu ou de alguém que você conhece, não é o tanto de coisa que ela alegava ser. Ela estava cheia do vazio, cheia do nada, do “trabalho-algum”. E isso estava sendo um peso, um fardo muito grande. E ela só ficará aliviada desse fardo quando trabalhar. Ela vai descansar trabalhando para Deus e vai trabalhar para Deus descansando nele.
Se a sua vida tem sido uma repetição só, e está tão pesado carregar esse pecado, é hora de se arrepender por desperdiçar tanto tempo por causa de um pecado não confessado em sua vida. E quando pedir perdão, siga em frente. Não corra atrás do tempo perdido nem do prejuízo, como se diz, porque não dá mais para recuperar. Você ainda pode plantar HOJE, trabalhar HOJE. Por causa de Cristo, temos o hoje. Portanto, acorde cedo hoje! Deus fez este dia!
“Este é o dia em que o Senhor agiu; alegremo-nos e exultemos neste dia” Sl 118.24
Acsa
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